because we destruct... a bit!

domingo, 13 de abril de 2008

Recorde na Aguda, talvez em Portugal, quem sabe no mundo! CINQUENTA

Acordei tarde. Telefonei ainda ensonado pro Alex. Ele que disse que ia
ver as condições na praia da Aguda. 10 minutos depois ele dá o
veredicto: 27 kms/h, Oestão.
Engulo o pequeno almoço e directo pra Aguda.
E começou a tentativa... quantos voos consigo fazer num dia?
Descolar, ganhar altura suficiente, voltar e aterrar.
Descolar, virar à esquerda, ganhar altura suficiente, voltar e aterrar.
Descolar, virar à direita, ganhar altura suficiente, voltar e aterrar.
Descolar, virar à esquerda, ganhar altura suficiente, voltar e aterrar.
4 já estão. Vamos continuar.
Descolar, aterrar, descolar, aterrar.
Aos 10 voos o vento diminui de intensidade. Descolo, viro à esquerda,
vou por ali abaixo. Uma marreca quase no inicio não tem piada nenhuma.
Ainda por cima pra este lado. Encosto à falésia. Reparo que o topo da
falésia é tipo um beiral. A ponta da asa vai por baixo do beiral. E a
coisa não sobe. A praia lá em baixo está pequena, a maré está cheia. E
ja esgravato a falésia com as unhas. Vou com um olho na falésia e com
outro na praia que fica para trás. Dali prá frente tenho que contar
com planeio directo pra praia. À direita já só há mar. E finalmente,
lá começa a subir. Afasto-me apenas o suficiente pra não bater no
beiral. E continua a subida. Estou ao nível da falésia quando esta
acaba. As Azenhas do Mar estão mesmo ali à frente. Mas já estou acima
da falesia. Volto para tras, a 1 ou 2 metros de altura. A descolagem
aproxima-se. Aterragem à cão, completamente de lado. O vôo mais
rasante do dia!
O vento fraquejou, conversa-se com este e com aquele.
Finalmente, o vento começa novamente a mostrar o seu vigor.
Siga.
Descolar novamente. E aterrar. E descolar. E aterrar...
Finalmente há ascendente suficiente para subir até à descolagem de
cima. E aterra-se lá, pois então.
E descola-se da de cima, e aterra-se na de baixo. Vôo directo, mas
mais um vôo.

O pessoal pergunta-se que raio ando a fazer que não liberto a
descolagem. Não digo nada. Ando a treinar a perda, digo em jeito de
desculpa. Um aluno a fazer os primeiros inflados é quem mais se
atrapalha com este vai vem. E o instrutor já não sabe o que há-de
fazer comigo.

40 voos. O pessoal combina tentar ir até à praia Grande. Vamos embora.
Isto corta a média, mas que se lixe. Já tou a começar a ficar cansado.
Os braços doem, as costas chateiam. Descolo, viro à esquerda, subo.
Passo pelo Pardal que desiste nas Azenhas. Vejo o Gabriel a aterrar
num parque de estacionamento logo depois das Azenhas. Vou alto,
continuo. Vão 3 já bem à minha frente. Vejo que não conseguem passar a
praia das Maçãs. Decido voltar pra trás se nenhum deles o conseguir.
Raios, o Ricardo atravessou. Aterrou numa mesa de pedra do outro lado
da praia e segue a inflados pela rocha acima. Penso em fazer o mesmo,
mas teria que aterrar atras dele. Decisao complicada, pois pelo que
vejo o inflado naquele sitio mete respeito. Neste momento já não
consigo voltar para tras. Embico para a praia e rapo a areia numa
curva apertada. Mais um voo!

Volta-se para a Aguda. O carro vai apinhado com tanta gente.
Enfio dois pedaços de pão com queijo fresco pelo bucho abaixo e ...
descolo.
O vento ta neste momento nos 35kms/h, com rajada de 41. É dificil
aterrar. A ascendente tá brutal. Aterro com orelhas e orelhões,
contabilizam-se mais 3 ou 4 voos. Estas aterragens travadas, a um
milimetro antes de entrar a perda dá-me cabo dos braços. E este ultimo
estoura-me por completo.
Descolo pela ultima vez. O vento sopra no seu máximo. Já quase não
consigo andar pra frente. Desaperto tudo, pernas, ventral, tiro as
pernas de dentro do estribo, os braços de dentro das alças. E
preparo-me para a ultima aterragem. A meio metro, salto da cadeira
para o chão. Manobradores nas mãos, a asa voa por momentos e desfaz-se
completamente, aninhando-se com o puxão de travões. A cadeira
esbardalha-se nas moitas. Tou aterrado.

Total: 50 voos.

Vou-me embora. Fiz mais voos hoje que no meu primeiro ano de parapente.

Os voos estão na liga XC Portugal. O log do dia é complicado de
esmioçar. Consegui extrair 40. 3 ficaram pelo caminho no upload. A
Vitória contou 50. Tou-me borrifando se acreditam ou não. Eu acredito,
estava lá!
Curiosidades: 2 triangulos FAI de 1 minuto. Mais um recorde inesperado.

Girão

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