because we destruct... a bit!

sábado, 1 de dezembro de 2007

Recolhas, não!

Uma vez que me pediram a opinião tão subtilmente (até pode haver vários Gatos das Botas, mas com guizos sou só eu), e uma vez que até tenho o recorde nacional de recolha com uns modestos 528 kms... (Que foi? Já alguém o tinha reclamado? É meu sim senhor (e do Lacerda, mas ele é masoquista e não o quer!))... aqui vai:

Não, não gosto de fazer recolhas.
E se há aqui alguém que o goste de fazer, é melhor visitar o filósofo sado-masoquista e peidófilo com que fomos brindados pelo Presidente.
E só encontro uma explicação para que se goste: masoquismo. Daí entender as posições aqui tomadas pelo mesmo gajo que entalou os dedos 8 vezes nas mudanças do carro do Gonçalo e nem por uma vez se queixou do facto. Já arranjámos gajo para nos ir buscar a Marrocos quando os ventos para lá soprarem.

Não, não gosto de fazer recolhas.
Não gosto quando as mulheres, amantes, amigos, acompanhantes, curiosos, ou o raio que os parta, vieram com este ou aquele piloto e em vez de o irem recolher ficam sentados no café, enquanto os parvos das recolhas os vão buscar. Se essas pessoas não têm a obrigação de ir recolher o marido, amante, amiga, acompanhante, curioso, porque raio tenho eu?

Não, não gosto de ir fazer recolhas.
Porque após um dia de 40ºC, que acabaram com 3 malditas marrecas ou com um vôo miserável de 1 quilómetro, estou cansado, malcheiros, mal humorado, puto da vida e com vontade de bater em alguém. E vou ter que ir ter com um gajo que fez 150 kms e que vai descrever km por km, térmica por térmica, abutre por abutre. E não me parece que ele esteja muito interessado nas minhas 3 maravilhosas marrecas.

Não, não gosto de fazer recolhas.
Porque vou ter que ir num carro que não conheço (Pensavam que ia no meu? Isso foi o ano passado, este ano aprendi!), cheio de sono, a queimar limites de velocidade e a entalar os dedos na alavanca das velocidades, em companhia de gajos masoquistas que não se importam de ser parvos das recolhas. E se tiver um acidente?

Não, não gosto de fazer recolhas.
Porque prefiro ir dormir para tornar a voar no dia seguinte com 40ºC, nem que seja para acabar novamente com 3 malditas marrecas ou com um vôo miserável de 1 quilómetro.

Não, não gosto de fazer recolhas.
Porque neste momento «alguém» me deve 528kms de recolha de 2007 e 400kms de recolha de 2006. E não sei quando vou conseguir recuperar este crédito.

Não, não gosto de fazer recolhas.
Porque com um vôo menos anarquico e com comunicações frequentes pode o piloto estar a aterrar e a recolha a chegar (já aconteceu comigo). Porque uma recolha por perto é segurança acrescida pra um esbardalhanço na aterragem. Ficará muito bem para qualquer um de nós bater o recorde de distância se acabar na primeira página como "MORTO APóS ATERRAGEM". Mais que não seja, porque quem bater esse recorde, o vai bater de um morto. Triste, não é?

E depois desta conversa toda, continuo a não gostar de fazer recolhas. E para pessoal que optimiza taxas de subida, planeios, mcreadys, flymasters e seus cilindros tangenciais, núcleos de térmicas, sotaventos, gatilhos, estradas de núvens, e mais o diabo que os carregue, pura e simplesmente não consigo entender porquê tanta relutância em OPTIMIZAR a recolha. Eu prefiro voar a fazer recolhas (acho que já se notou!). E se com uma optimização de recolhas pudermos todos voar mais? Se puder chegar a casa às 10 da noite, como piloto ou parvo de recolhas e não às 5 da manhã, vou poder dormir e voar fresco no dia seguinte. E não ficar a dormir até às 2 da tarde, enquanto os NÃO PARVOS que se baldaram à recolha se divertem a voar enquanto eu durmo de rebentado.

Porque o meu egoista objectivo no meio disto tudo é voar anarquicamente, porque até tenho a minha própria recolha garantida e principalmente, porque o meu crédito de recolhas anarquicas está tremendamente desequilibrado, VOU CONTINUAR A FAZER RECOLHAS.

Mas... (foi o que retirei desta discussão tão acesa)... só se isso não me lixar o objectivo de voar no próprio dia ou no seguinte.

Afinal, parapentista que se preze é, acima de tudo, o ser mais egoista e egocentrista conhecido, um animal conhecido por olhar fixamente pro próprio umbigo. E o meu anda com demasiado cotão. Há que removê-lo!
E eu quero ser um melhor parapentista, porra!

Girão

P.S. Ao Lacerda, menos anarquia. Ao Paulo Reis, menos emoção. Ao Paulo Nunes, que m3rda é esta de não me incluires na carrinha pra Azinha pra nos chatearmos todos olhos nos olhos? Vem pra cá telefonar quando fizeres marrecas de 7 kms. EGOISTA!