because we destruct... a bit!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Atravessar o Douro... em Barca D'Alva.


Manga de Freixo de Espada à Cinta 2010


Manga de Torre de Moncorvo com golo em Almeida, com uma baliza em Mulher (!) para colocar a malta sobre Barca D'Alva, num local em que a travessia do Douro não é tão escabrosa. Vento de NorNoroeste, fraquinho. Tecto nos 1600, subindo para 1800 (consegui 2000m). Apreensão geral em nos atirarmos ao Douro com um tecto tão baixo.
Subida na descolagem sem grandes dificuldades, apesar de não se subir muito bem. Maralhal normal, apesar de um bacano vir completamente cego a olhar pra bonita asa que tinha. Acordou para a realidade com um berro bem dado... a minha bolha eu não largo!
Saída juntamente com o grupo da frente (uns 15), sensivelmente à mesma altitude que os restantes.
Térmica seguinte porreirinha, mas com umas bolhas mais brutinhas à mistura. Vejo o Brazuka levar com uns orelhões e sair numa direcção estranha e aterrar (falei no rádio para recolher a asa, mas depois vi-o a andar a volta dela). O desgraçado foi mandar a carga ao mar.
Sobre Ligares a coisa estava muito desarrumada, andado toda a gente a deambular, enroscando aqui e acolá. Consigo visualizar o fluxo de bolhas, vou direitinho até à térmica... e a passagem do Douro ficou garantida. Inicio a travessia apreciando a paisagem, Freixo à esquerda, bem longe, o Penedo Durão, a descolagem onde voamos no dia anterior (xiu, não é pra ninguém saber), o buraco junto ao Douro onde aterrei há 3(?) anos atrás (brrrrr!), Barca D'Alva, com a sua ponte e inserção do rio Águeda no Douro, com as águas negras do Águeda a rotorizarem nas águas verdes do Douro e dois barcos a subirem o rio. Esta travessia é mesmo de cortar a respiração e ainda dá tempo para enrolar umas bolhas sobre o rio.
Depois de Barca D'Alva e duma buraqueira, a paisagem altera-se radicalmente, com campos verdes a estenderem-se até ao golo. E a condição também se altera radicalmente, tendo a brutalidade das bolhas do Douro dado lugar a um quase zeranço, nas térmicas mais contorcidas que tenho memória. Núcleos completamente enrolados e enroscados, com derivas para todos os lados. Foi deixar a asa pensar e fazer o que lhe apetecia para se conseguir subir pachorrentamente. Uma constante até ao final.
Em Escalhão vejo o Pedro Moreira a tomar a direita, sobre um terreno mais pedregoso, via Figueira de Castelo Rodrigo. Ainda me passou pela ideia amandar-me na loucura, mas o objectivo era o golo e a restante malta não tomou essa opção. Decidi continuar com eles, pra ficar mais quentinho.
Ouve-se alguém na Covilhã a dizer que tem um planador por baixo. Era o Eusébio e o Pedro Rodrigues a amandarem-se à Gardunha, que desta vez os venceu. O Fundão é mesmo fundo!
Última térmica, estava a enrolar com o Paulo Nunes e ele abandona saindo disparado quando ainda havia uns quantos metros pra aproveitar. Percebi logo que o aparelho já lhe tinha dito que a coisa estava garantida. Como não tenho essas tecnologias modernas, decidi subir mais duas voltas e... ala que se faz tarde.
Foi até ao golo sem espinhas. Ainda pensei em meter acelerador, mas o Diniz ia demasiado adiante para eu o apanhar e o gajo da UP que vinha atrás de mim, demasiado atrasado para me apanhar.
Conto a malta à minha frente.. 8 bacanos.. tou em 9º. É nesta altura que vejo o Pedro Moreira a gozar com a malta, espiralando por ali abaixo, já tendo feito golo. A opção de ter ido pela direita compensou.
Décimo lugar.
Surpresa do dia... caiu o Lacerda no golo, depois de ter feito isto tudo... num guardanapo. Nem as cinzas do Eyjafjallajokull o impedem de chegar, com ou sem Boom7 ;)

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